terça-feira, janeiro 16, 2007

Casamentos e macarronadas

Ela sempre achou que eu tinha sorte em relação ao amor. Não que isso seja a mais pura verdade ou mas tampouco a mentira mais cabeluda que escutasse. Talvez porque nunca tivesse permitido sentir-se sortuda.
Ela é encantadora. Simpática. Como diria dona Silvia, arrasa quarteirão. Nos lembra até aquela famosa por "sargá o rêgo" em mares europeus.
Ao acaso sentiu-se sortuda. Assim, ajudei no que pude para que isso se concretizasse. E eu só apoio quando acredito. É fato. Concretizado.
Naquele bar com nome de santo casamenteiro fomos. Investi em uma pulseirinha. Eles estavam em alguma outra investida. A pulseira não foi com a fé que precisaria ter para que se acreditasse. E com certeza nada em que não botamos fé acontece.
Do que não se tenta aí sim se arrepende, sem saber ao menos se vinga ou não.
Eles se foram ainda separados e nada de pressa. O que é do homem o bicho não come.

Na frente dele eu destruía a minha pulseira. Não tinha valido a pena colocá-la.
- Por que você tá fazendo isso?
- Porque eu descobri que não quero casar. Porque não fiz os pedidos. Porque não botei fé. No fundo eu coloquei por graça.
E no fundo, eu confesso, não foi uma vez só que já pensei que sim. Ah, que eu casaria com ele. Se eu botasse mais fé. Casaria como a Kate Holmes.
Então eu tentaria casar? Porque não dá ficar com alguém por graça.
Não vou pensar nisso agora. No fim acaba tudo em pizza.

Não me sinto tão sortuda, não me sinto tão azarada.
Temos nossos dias, ciclos, luas, ventos, ares.
Sendo geminiana assim como eu, decisões e concretizações são fortes. Que nem frapé. Que nem pau fincado na areia.
Mudo de idéia, não como mudo de calcinha. Meu humor muda também. Eu te amo e te odeio. Aí eu me amo e odeio te amar. Eu sinto mil coisas em um dia.

Em breve, muito breve, creio que se sentirás sortuda. Lembre-se de permitir-se.
Nada é posto no nosso caminho por acaso.
Anda na linha e faz como o sinal de trilho de trem. Pare. Olhe. Escute.

Molhinho de tomate. Espero que rendas para muitas macarronadas.

Um comentário:

Anônimo disse...

esse texto é lindo, Pri.